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Exportação pelo Norte cresce 62%

O chamado Arco Norte é a aposta do agronegócio para reduzir o custo logístico; até 2025, rota terá capacidade de 64 milhões de toneladas

A grande aposta dos empresários do agronegócio para reduzir os custos logísticos é o desenvolvimento do Arco Norte, corredor de exportação que inclui os portos de Rondônia, Amazônia, Pará e Maranhão. Nos últimos anos, investimentos bilionários têm sido aplicados em projetos para ampliar a capacidade de escoamento da nova rota. E os primeiros resultados já são positivos.

Em apenas um ano, o volume de exportação pela chamada Saída pelo Norte cresceu 62,4%, de 12,2 milhões para 19,9 milhões de toneladas de grãos, segundo o diretor da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcelo Cabral. No mesmo período, compara o executivo, a expansão no Porto de Santos, o maior da América Latina, foi de 22,7%, para 30,5 milhões de toneladas.

Mas a boa notícia não veio só do aumento do volume exportado pelo Norte. Os custos já estão menores – e a expectativa é que caiam mais. Cabral afirma que enquanto o frete entre Sorriso (MT) e o Porto de Santos (SP) está em torno de US$ 135 a tonelada, na rota entre Sorriso e Miritituba/Vila do Conde (PA) está em US$ 95 a tonelada.

O coordenador executivo do Movimento Pró Logística, Edeon Vaz Ferreira, afirma que hoje o caminho que tem como ponto central Miritituba e os portos de Santarém e Vila do Conde, no Pará, e Santana, no Amapá, já tem capacidade para movimentar 10,5 milhões de toneladas. Até o fim do ano serão 16,5 milhões. Ele conta que os terminais de Cianporte e Cargill devem ficar prontos até o fim do ano, o que vai ampliar a capacidade de exportação. “Tem mais gente com projetos em Miritituba, que devem sair do papel nos próximos anos”, diz Ferreira.

Segundo ele, o fim da pavimentação da BR-163 deve atrair ainda mais projetos para a região. São 104 quilômetros sem asfalto que representam dias de viagem. “Esse é um trecho para dois dias. No período de chuva, por causa do trecho de terra, o tempo sobe para seis dias.”

O diretor do Ministério da Agricultura destaca também que a licitação dos Portos do Pará, prevista para abril, também deve atrair novos investimentos, já que vai ampliar a capacidade de exportação em 25 milhões de toneladas. “Temos uma expectativa de que, até 2025, tenhamos uma capacidade de 64 milhões de toneladas no Arco Norte.” Com isso, diz o executivo, regiões que hoje não produzem passarão a produzir, pois o custo de escoamento vai cair com a concorrência.

Fonte: RENÉE PEREIRA – O ESTADO DE S. PAULO

20 Março 2016 | 03h 00 – Atualizado: 19 Março 2016 | 13h 09